Acidentes e Doenças Profissionais custam 1,5 mil milhões por ano
Jornal de Negócios em 27/10/2008
Os acidentes de trabalho e as doenças profissionais custam anualmente às empresas e ao estado perto de 1,5 mil milhões de euros. Um motivo que, por si, devia ser mais do que suficiente para convencer as empresas a avaliar e a prevenir os riscos a que todos os dias os trabalhadores estão sujeitos. O alerta dado por Luís Lopes, o coordenador executivo para a promoção da segurança e saúde no mundo laboral na Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), é válido para todos os sectores de actividade e torna-se mais importante numa altura em que a crise financeira ameaça estender-se à economia real. De acordo com um estudo recente da ACT, os custos imediatos com os acidentes de trabalho e doenças profissionais em Portugal – incluindo a baixa médica e o tempo de paragem dos equipamentos – ronda os 663 milhões de euros por ano. Mas esta é apenas a ponta do “iceberg”, já que há outros custos suportados quase exclusivamente pelas empresas que, em regra, não são contabilizados e que em Portugal atingem os 867 milhões de euros por ano. Em causa estão as despesas com a formação do trabalhador que vai substituir o sinistrado, eventuais reparações dos equipamentos ou a redução da produtividade por parte dos outros trabalhadores, que “ficam chocados com o acidente”, ou ainda a recuperação do trabalhador que tem determinada doença profissional. Estes montantes, alerta Luís Lopes, apenas dizem respeito aos acidentes e às doenças profissionais notificados à Administração do Trabalho e à Segurança Social. “Se nos acidentes existe notificação obrigatória à ACT, nas doenças profissionais existe uma enorme taxa de sub-notificações”, ressalva, alertando que os valores em causa são mais elevados. Depois de um conjunto de iniciativas no âmbito da Semana Europeia para a Segurança e Saúde do Trabalho, e dirigidas maioritariamente às micro, pequenas e médias empresas, Luís Lopes não hesita em dizer que as empresas “têm toda a vantagem” em fazer a avaliação e a prevenção dos riscos profissionais: por um lado reduzem os riscos a que os trabalhadores estão expostos e, por outro, baixam os custos. Porém, e ao contrário do que diz a teoria, em momentos de crise a tendência é para as empresas cortarem na segurança. “É uma asneira enorme”, frisa o responsável da ACT: “É exactamente nestes momentos que as empresas deviam pensar que não podem perder dinheiro com os custos da sinistralidade”. |